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. . . . . Brasil, 10 de fevereiro de 2012
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MISSÕES

Missões: Restaurando o Velho Modelo

Desde os tempos dos primeiros apóstolos em Jerusalém, a igreja tem cedido à inclinação de ficar onde está, cuidando e aperfeiçoando o fruto local (At 1.8 x At 8.1). Uma das conseqüências diretas  desta atitude é uma resistência inconsciente ao mandamento do Senhor Jesus: "Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações... e sereis minhas testemunhas... até aos confins da terra"(Mt 28.19; At 1.8).

Nos capítulos 10 e 11 de Atos vemos a resistência dos líderes da igreja e o esforço do Espírito Santo em convencê-los a irem aos gentios levando-lhes o Evangelho. Neste esforço, o Senhor chega a permitir uma perseguição para que a igreja se disperse e, finalmente, alcance os povos, sendo luz do mundo e sal da terra (At 8.1-8; 11.19-21).

A primeira igreja fora dos limites de Israel, nasceu em conseqüência da dispersão de discípulos por causa de uma perseguição e não por um planejamento e ação dos apóstolos! Que tristeza!

Então, a partir de Antioquia da Síria, do meio de uma igreja formada sem as pressões da tradição judaica (At 11.1-4,15-18), Deus levantou apóstolos que fossem aos gentios romper o domínio de Satanás e estabelecer o Reino de Deus (At 26.17,18; Rm 15.18-21; Ef 2.11-22), edificando a Igreja sobre o sólido fundamento que é Cristo (1Co 3.10,11).

Durante toda a Idade Média (um período de mais de mil anos, conhecido na história como idade das trevas) a igreja se manteve confusa e oculta sob o véu do romanismo católico, com raras expressões da vida de Cristo.

Com a Reforma Protestante (um dos marcos do fim da Idade Média), inicia-se um claro processo de restauração da Igreja, que incluiu um grande movimento de renovação e avivamento da igreja na Europa e América do Norte, seguido de um forte despertar missionário que alcançou grande parte da Ásia e África.  Contudo, os avanços mais expressivos foram fruto da iniciativa de alguns homens, verdadeiros apóstolos que marcaram a história. A igreja, como um todo, não se envolvia nesta obra, embora tenha havido exceções notáveis como os morávios, que enviaram obreiros por todo o mundo, do Pólo Norte, entre os esquimós, até à Patagônia, no extremo sul da Argentina, passando pela Europa, América do Norte, África e muitas ilhas do Pacífico e Atlântico.

O fato de que, ao longo da história da igreja, a maior parte do avanço missionário ter sido fruto do esforço isolado de alguns homens, pode ter contribuído para se criar a idéia de que é necessário um “chamado especial”. Este entendimento tem produzido três erros graves:

 

A igreja não se move. Ao invés de planejar o envio de obreiros fica esperando que alguém receba um “chamado” para ir aos povos não alcançados;
Qualquer um que diz ter um “chamado”, passa a ser um candidato a missionário / apóstolo sem se levar muito em conta suas qualificações para o ministério. Se ele goza de um bom testemunho e tem um “chamado”, já pode ser enviado, bastando para isso um breve treinamento transcultural;
Aquele que recebe o “chamado” passa a ser visto como alguém muito especial,  pois recebeu um chamado de Deus para a obra missionária.   

O resultado disso é que a evangelização do mundo deixa de ser responsabilidade da igreja, como reino de sacerdotes, passando a uns poucos “especialmente vocacionados”. Destes poucos que são enviados, um grande número é de gente completamente despreparada. Ouvi, anos atrás, de um ex-muçulmano, líder da igreja no mundo islâmico, a seguinte frase: “Mais de 90% dos missionários que atuam em países islâmicos, fariam um grande favor à igreja do mundo muçulmano se voltassem aos seus países de origem, pois estão atrapalhando”. Isto não significa que não sejam santos ou sérios, mas que não estão aptos para este tipo de obra.

Creio que Deus pode chamar alguém de modo especial, mas esta é a exceção e não a regra. A regra é que a igreja planeje alcançar todo o mundo e, em jejum e oração, eleja homens segundo os critérios do Novo Testamento (At 13.1-3; 1Tm 3.1-7;  Tt 1.5-9). Não se pode exigir de um homem enviado para estabelecer igrejas onde não existe ou existe em estado precário, menor qualificação do que se exige dos pastores que são estabelecidos na igreja local.

Entendemos, então, que a evangelização transcultural é uma tarefa ordinária, ou seja, deve constar da agenda da igreja como uma rotina. Nem todos serão enviados, mas todos devem estar comprometidos em oração e com o sustento. Não é a tarefa de um homem vocacionado, mas da igreja como Corpo de Cristo. É o Espírito Santo quem envia, mas é pela igreja que ele o faz (At 13.3,4; Rm 10.13-15; 1Co 9.3-10). Aleluia!

Se não houver uma metanóia (uma verdadeira mudança de mente) a igreja continuará tímida e remissa na liberação de obreiros e recursos para o trabalho em outras culturas e nações e os povos continuarão servindo ao diabo (1Co 12.2; Gl 4.8; Ef 2.11-13; 1 Ts 1.8-10; At 14.15; 15.3,4,12 etc). Mas não é esta a vontade de Deus: “Pois não há distinção entre judeu e grego, uma vez que o mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo! Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como creram naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão se não forem enviados? (Rm 10.12-15).


“Esforçando-me deste modo por pregar o Evangelho, não onde Cristo já fora anunciado... antes, como está escrito: hão de vê-lo aqueles que não tiveram notícia dele, e compreendê-lo os que nada tinham ouvido a seu respeito” (Rm 15.20,21).

 

“Então darei lábios puros aos povos, para que todos
invoquem o nome do Senhor, e o sirvam de comum acordo”  Sf 3.9. Aleluia!


Fonte: Fazendo Discípulos

Efatah Missões
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