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Jovens de hoje não vinculam o curso universitário a uma carreira, o que traz risco de frustração Além da falta de maturidade, os especialistas apontam um outro agravante: a falta de interesse. “Os jovens dedicam pouquíssimo tempo ao seu futuro profissional. Muitos deixam para pensar nisso na última hora e acabam se arrependendo depois”, afirma o superintendente-geral do Instituto Via de Acesso, Ruy Leal. A psicóloga e orientadora profissional do Instituto Ser, Marilu Diez Lisboa, concorda: “O adolescente não pensa em uma carreira, e sim em um curso universitário. Ele não associa com seriedade essa escolha com seu futuro e procura o curso sem um plano, sem um objetivo definido.” Para ajudar na escolha, Fernando Cardoso, sócio-diretor da Integração–Escola de Negócios, defende maior participação das escolas, propiciando palestras, debates e visitas monitoradas em diversos locais de trabalho. “O estímulo fornecido pelo ensino médio pode fazer a diferença”, garante. “A escola se preocupa apenas em fazer o aluno passar no vestibular. Agora, em qual curso, é problema dele.”
Pais e amigos
A influência dos pais e dos amigos também é outro ponto que deve ser considerado. Ela será prejudicial se o jovem não tiver inclinação para determinada área e apenas entrar nela por pressão recebida. Sentir-se forçado. “Os pais ainda preferem profissões mais tradicionais como medicina, Direito e Engenharia, mas precisam entender que existem muitas outras opções hoje no mercado”, diz Cardoso. Marilu aponta que o aspecto financeiro tem seduzido muitos jovens para determinadas profissões e, algumas vezes, são até mesmo o motivo principal da escolha. “Essa juventude está muito fixada na questão do ‘ter’, que não podemos desprezar, uma vez que vivemos em uma sociedade de consumo. Mas existem também o ‘ser’ e o ‘fazer’ e precisa haver uma correspondência entre todos eles.” Na opinião de Ruy Leal, os jovens de hoje ainda estarão numa fase altamente criativa e produtiva quando tiverem 60 anos de idade. “Quem escolhe uma profissão com dúvida ou sem saber onde está se metendo vai viver infeliz esse tempo todo?”, pergunta. Para o psicanalista e professor de Psicologia da ESPM, Pedro de Santi, se a profissão for escolhida levando em conta apenas o mercado, certamente o final não será feliz. “Esse é um fator a ser considerado, mas não o único. O mercado é cíclico e pode mudar radicalmente em quatro ou cinco anos. Quando você se forma, já não encontra mais aquele cenário que havia quando ingressou na universidade.”
Orientação
Leal enfatiza que a escolha da profissão nunca foi tão importante quanto neste século. “Antes as mudanças eram lentas; hoje são violentas. É preciso, portanto, amar o seu trabalho para estar sempre atualizado e disposto a se adequar e se adaptar a ele”, afirma. Mesmo assim, o risco de uma decisão errada sempre vai existir, mas pode ser reduzido. Para isso, os especialistas aconselham os adolescentes a terem conversas com profissionais experientes e com professores, além de fazer um plano de vida e buscar o auto-conhecimento. Nesse ponto, a orientação vocacional pode ser uma boa alternativa. Mas cuidado: não se trata de testes simples e rápidos pela internet. O professor, pesquisador e autor de livros Roberto Macedo alerta que um programa de orientação vocacional, se não for bem estruturado, pode mais atrapalhar do que ajudar: “Eles são muito focados nas profissões em si, ignorando que cada vez mais as pessoas vão trabalhar em ocupações que não são típicas delas. ”
Mais opções Se mesmo pesquisando e procurando se informar o jovem não se sentiu muito atraído por nenhuma das opções, uma das saídas é fazer um curso que possibilita um maior leque de especializações e atuações como Administração e Comunicação. “Como os caminhos são muitos, conforme vai fazendo o curso o aluno ganha mais tempo até achar uma função pela qual se identifica mais”, diz Pedro de Santi. Não é incomum também começar um curso e depois de um ano perceber que não era bem aquilo que se queria. Nesse caso, é melhor começar outro, desta vez, mais consciente. “Essa primeira desistência é compreensível, mas a pressão para que a segunda escolha esteja certa será enorme”, alerta de Santi. Para Marilu, são poucos os jovens que têm a chance de freqüentar uma universidade e escolher a profissão no Brasil e, por isso, é preciso dar mais importância a essa decisão. “Se esse é o seu caso, faça uma escolha cuidadosa, que valha a pena para você e para a sociedade.”
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