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Não é preciso procurar muito para encontrar profissional formado em uma área trabalhando em outra completamente diferente. Em alguns casos, isso acontece por opção, mas em outros, o problema está na dificuldade encontrada para ingressar na área escolhida. Como ao entrar na universidade muitos já têm uma atuação profissional, acabam deixando o tempo passar e a possibilidade de iniciar na área da formação vai ficando mais distante. A remuneração do emprego atual, geralmente, é o fator de maior relevância na hora de adiar um possível estágio. "Diferente de como muita gente vê, o estágio deve ser encarado como um investimento na carreira e não como andar pra trás. É ele a grande oportunidade que o estudante tem de ser inserido no universo corporativo na área que escolheu", afirma a gerente do Grupo Foco, Fábia Cristina de Barros. A consultora, porém, leva em consideração que deixar o emprego e iniciar como estagiário não seja algo tão simples para algumas pessoas. "Para os mais jovens e sem grandes responsabilidades financeiras, esse é sim o caminho mais indicado, no entanto, para aqueles que já têm responsabilidades mais sérias, é preciso pensar em alternativas menos impactantes", diz Fábia. Para esse perfil de profissional, a consultora da Right Management, Telma Guido, acredita que a especialização realizada por meio de cursos e seminários seja muito importante. Mostrar para a empresa o interesse que tem em mudar para a área de formação é, segundo ela, essencial. "Uma das estratégias adotadas pelo profissional deve ser anunciar para a empresa o desejo que ele tem de migrar de uma área para a outra e falar da capacitação que já está adquirindo para isso", aconselha Telma. "Ficar mais próximo de pessoas que tenham o poder de decisão também é muito importante, para que quando houver a possibilidade de mudança o profissional tenha chances de ser considerado. Caso, obviamente, tenha a área almejada na empresa em que ele trabalha, se não houver, terá de olhar para fora da organização", completa Telma. Fábia compartilha desta opinião e afirma que muitas empresas têm programas que possibilitam a mobilidade interna. "Recrutamento interno hoje em dia é muito usual. Claro que varia de cultura para cultura, mas no nosso mercado é muito comum. O marketing pessoal é indispensável nesse momento". Terminei a faculdade, e agora? Estar com o diploma nas mãos sem nenhuma experiência na área assusta muita gente. Alguns chegam a acreditar que não vão conseguir ingressar na profissão. Isso tudo é compreensível, porém não é real, além do estágio, há outras formas para iniciar uma carreira profissional - o programa de trainees é uma delas. "Se o profissional tem até dois anos de formado, ele pode se candidatar a um programa de trainee. Esses programas assumem os candidatos corporativamente e não para uma área específica, dessa forma, ao apresentar as competências necessárias para determinada área, ele terá grandes chances de conseguir uma posição na empresa", considera Fábia.
Caso o tempo de formação exceda os dois anos, o conselho da consultora seria procurar um curso de pós-graduação, até mesmo para abrir o escopo de possibilidades de atuação na carreira. Mas tudo isso só faz sentido se o profissional se identificar com a área e tiver habilidades para essa profissão, lembra Telma. "Muitos profissionais têm formações distintas da atuação e mesmo assim são excelentes e bem-sucedidos. É preciso saber o que o move e a partir daí encarar os desafios. Se é realmente na área de formação, vá atrás disso, se é em outra área, especialize-se e apresente-se a esse mercado. O importante é gostar do que faz e ter as competências necessárias para isso", finaliza Telma Guido. |