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O baiano Antônio Lázaro Silva tem 41 anos, é solteiro e mora em Salvador. Ele nos recebeu na noite da última sexta-feira, momentos antes de seu show para um bate papo.
GENTE & IDÉIAS- Você fazia parte da banda Olodum, que tem uma música de rua, do carnaval e agora você se apresenta como cantor gospel. Como foi esse ajuste? Você teve alguma dificuldade?
LÁZARO: No âmbito profissional não, porque na verdade não era minha intenção profissionalizar, gravar discos, de fazer o que estou fazendo hoje que é viajar por esse Brasil pregando a Palavra. A minha intenção era ficar na igreja, a minha intenção era só mesmo passar pela conversão e abandonar a música, partir para um novo estilo de vida. Mas Deus me chamou para essa obra e nós começamos a cantar numa igrejinha, onde eu me converti, seis ou sete pessoas, depois começaram a surgir convites de outras igrejas. Depois de um ano, foi que caí na real, que na verdade Deus tinha um projeto de me tornar evangelista.
GI: No seu DVD, você diz que é difícil evangelizar no Pelourinho. Continua difícil? Você tem ido lá?
É... A complicação no Pelourinho é porque normalmente o lugar onde o turismo é muito acentuado há uma cultura onde pode tudo, onde é comum tudo, você tem liberdade para você fazer todas as coisas. Você vê que na época que eu estava no Pelourinho, a gente usava drogas abertamente, era algo que quase que permitido. Quando você chega num ambiente desse para falar sobre Jesus Cristo é muito complicado. Porque na verdade, as pessoas que se aglomeram naquele lugar, têm aversão ao evangelho, como eu também não gostava. E eu tiro minhas conclusões, basicamente em relação ao que sentia, quando eu estava ali no meio de toda aquela coisa.
Hoje quando eu paro para evangelizar alguém no Pelô, o que me vem a mente em primeiro lugar, são as coisas que estavam dentro de mim no tempo que eu estava lá. Até para entender porque as pessoas não querem receber a Palavra, porque eles ficam agressivos.
Tenho tentado me aproximar mais como amigo para quem sabe daqui a algum tempo eu possa pregar a Palavra de uma forma eficaz. Primeiro a gente precisa ganhar a pessoa pra gente e depois pra Jesus.
GI: Como você vê o crescimento da igreja evangélica no Brasil, na Bahia?
No Brasil né? A gente pode falar como um todo. A situação da Bahia é a mesma do País. O sofrimento tem aumentado. E o sofrimento gera uma necessidade de se buscar a Deus. Eu por exemplo, quando eu tinha overdose, quando passava pelas minhas crises, me atirava nos pés de Cristo com Pai Nosso, Ave Maria. Eu tinha um desejo muito grande de aprender rezar o terço porque eu achava que aquilo me achegava a Deus.
Vejo que quando alguém sofre, Deus é a primeira expectativa da pessoa. E hoje, como o evangelho tem um poder de mídia muito acentuado, as pessoas têm se voltado para a igreja, para os grandes templos com a expectativa de que Deus vai resolver os seus problemas, que é bíblico né?
Tem pessoas que dizem: ah, a gente tem que ir para igreja para adorar, mas é Jesus mesmo que diz. Jesus não diz assim venha para igreja adorar, venha a Mim e adore. Ele diz Vinde a mim vós que estais cansados e oprimidos e os vos aliviarei.
GI: O que você diria para quem não conhece o amor de Jesus?
Eu diria que Deus quer se relacionar com estas pessoas.
Quando a gente fala para as pessoas, se entreguem para Cristo, a resposta é como eu posso me entregar para alguém que eu não conheço?
Para as pessoas se entregarem para Jesus, elas precisam conhecer Cristo e infelizmente, às vezes nos esforçamos demais para colocar a pessoa dentro da igreja do que colocar Jesus dentro da pessoa. Eu acho impossível conhecer Jesus e não querer um relacionamento com ele.
Eu quando me converti, por exemplo, eu tinha uma curiosidade de Deus, eu queria saber mais sobre o Senhor, sobre Cristo. Eu comecei a ler e ouvir a Palavra, mais muito resistente a um compromisso com a igreja porque infelizmente a mídia divulga muito as coisas ruins que acontecem no nosso meio. Eles não divulgam as pessoas que são libertas, as famílias que são restauradas. Eu não queria compromisso com a igreja, queria aprender de Deus. E quando a gente vai conhecendo, a gente vai amando né?
Hoje tenho conhecido a cada dia mais, amado mais.
GI:É impossível ficar parado com I Miss Her a melô do Pom pom pom, que hoje é Eu sou de Jesus.
É, (risos). Glória a Deus!
GI: Hoje em dia tem sido considerada música gospel , toda a música produzida pelos evangélicos independente de qualquer que seja o estilo. A gente ouve o reggae, o rap, o samba, enfim, qual é o seu estilo?
Eu gosto da música brasileira, do samba, da batida da Bahia, da bossa nova, admiro também músicas que vêm de fora. Eu não me sinto muito a vontade quando alguém me impõe um certo de música para um certo tipo de situação, principalmente dentro da igreja.Por exemplo, quando eu canto Meu Mestre é a mesma coisa pra mim de estar cantando a Melo do Pom pom pom. Porque cada uma tem a sua história. Eu me enquadro como um músico alegre, que gosta de dançar, ficar solto e que tenta louvar a Deus, sem rótulos.
GI: A Bahia sempre foi um grande caldeirão cultural com seus músicos, artistas. Você tem notícia de alguém do meio que se converteu?
Sim, o Xandy, a Carla Perez, o Walter Júnior que era locutor de uma rádio FM chamada Itapuã FM, muito conhecido na mídia em Salvador, entre outros.
Tem uma igreja em Salvador que é a Igreja dos Artistas. A Ivete Sangalo já visitou e de vez em quando a gente vai lá para pregar.
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